Seis pesquisas de estudantes dos cursos de Edificações, Serviços Jurídicos e Administração impressionaram professores e público do ensino superior Os estudantes de nível técnico apresentaram seis trabalhos de pesquisa no mesmo espaço e com o […]
Os estudantes de nível técnico apresentaram seis trabalhos de pesquisa no mesmo espaço e com o mesmo rigor exigido de universitários. Teve concreto com plástico reciclado, planejamento urbano para a própria cidade, análise do sistema prisional paulista, pesquisa de campo sobre acesso à Justiça e estudo sobre a logística em regiões isoladas do país. Em comum, a segurança de quem domina o que pesquisou.
O curso Técnico em Edificações levou três artigos, todos ligados a problemas reais da construção civil e do território de Itapeva.
Kauãny Rafaely Nascimento da Silva apresentou o artigo Influência da Incorporação de Fibras de PET obtidas pós-consumo, na trabalhabilidade e nas propriedades mecânicas do concreto convencional. A aluna investigou como fibras de garrafas PET descartadas se comportam dentro do concreto. A pesquisa une sustentabilidade e desempenho, um dos temas mais estudados hoje na engenharia de materiais. Sozinha diante da banca, Kauãny conduziu a apresentação com firmeza e respondeu às perguntas com propriedade.
Carlos Eduardo França Silva e Helen Caroline Oliveira da Silva assinam Diretrizes Urbanísticas e Ambientais para Chacreamento em Zona de Controle Ambiental: estudo em Itapeva/SP. A dupla olhou para a própria cidade e propôs critérios para que a ocupação de áreas protegidas aconteça sem comprometer o meio ambiente.
Gabrielly dos Santos Almeida, Gustavo Henrique Rodrigues Costa e João Pedro de Almeida Carvalho apresentaram Planejamento Urbanístico de Baixa Densidade em Área Ambientalmente Sensível: Estudo Propositivo Vila Colline. O trio foi além do diagnóstico e entregou uma proposta concreta de parcelamento, pensada para preservar a área e garantir qualidade de vida a quem for morar ali.
Os outros três trabalhos vieram dos cursos de Serviços Jurídicos e Administração, em formato de banner científico, e enfrentaram temas que costumam aparecer em programas de graduação.
Manuella Martins Costa, do Técnico em Serviços Jurídicos, apresentou A engrenagem da reincidência: a omissão estatal no art. 10 da LEP como motor da criminalidade em São Paulo. A aluna analisou se o Estado cumpre o dever, previsto na Lei de Execução Penal, de dar assistência ao preso e ao egresso. Com dados oficiais da Secretaria da Administração Penitenciária, mostrou unidades paulistas operando com quase o dobro da capacidade, um cenário que dificulta a ressocialização e favorece a reincidência.
Lívia Oliveira Dantas Ribeiro, Lorena Proença Araujo e Nicolly Fogaça dos Santos Rodrigues apresentaram Aporofobia e acesso à justiça gratuita: barreiras socioeconômicas à efetivação da assistência jurídica no Brasil. Além da revisão bibliográfica, as alunas foram a campo e aplicaram um questionário a 29 pessoas. O resultado: 44,8% conhecem pouco a Defensoria Pública, 27,6% já receberam tratamento depreciativo e outros 27,6% sentem medo ou vergonha de procurar a Justiça. A conclusão é que a gratuidade das custas não basta: o acesso à Justiça depende de informação e de um atendimento que acolha quem é pobre.
Victor de Deus Moraes e Wallace Nicolas Cruz, do Técnico em Administração, apresentaram Os desafios da logística pública em regiões de difícil acesso no Brasil. A dupla partiu de um dado forte, cerca de 75% das cargas do país circulam por rodovias, e usou a Transamazônica (BR-230) como exemplo do custo dessa dependência. Como saída, defenderam a multimodalidade e o uso dos rios da Amazônia, já que o transporte hidroviário é 78% mais eficiente em energia que o rodoviário. Para eles, o terreno da região deve ser tratado como oportunidade, não como obstáculo.
Nos banners de Serviços Jurídicos e Administração, a orientação foi das professoras e professores Denise Meire de Morais Lopes e Pablo Souza Vespasiano, da Etec, com coorientação de Leonardo Mariozi Russi, docente de Direito do ensino superior. O trabalho conjunto mostra o que acontece quando a escola e a faculdade se aproximam: o aluno descobre cedo que sabe pesquisar, escrever e defender uma ideia em público.
Para a Etec de Itapeva, a noite foi motivo de orgulho. Os onze estudantes provaram que o ensino técnico forma profissionais e também jovens pesquisadores, capazes de dialogar de igual para igual com o meio acadêmico. Parabéns a cada um deles, aos professores que os orientaram e às famílias que acompanham essa caminhada.








